July 11–September 18, 2026
Reception: Saturday, July 11, 6:00–8:30pm

about exhibition

Balcony Gallery and artist Laura Caetano are pleased to invite you to visit “9”, her first solo exhibition at the gallery, opening on July 11, Saturday, at 6 pm.


Press Release

[EN]
During a conversation with Laura in her studio, we spoke about the experience of creating images on images, those devoid of any meaning beyond their aesthetic quality. We quickly arrived at clichéd categorisations of what defines an artist and the ideas surrounding the desire for pure painting. She concluded: “the hands are the painter’s ultimate tool,” admitting that her own obsessions shared this universal matrix. It is as though this icon functions as a common language, serving as a painter’s truest self-portrait.
I remember when, shortly after our discussion, Laura started using gloves to paint, in an exercise of detachment from pictorial production. At the time, it struck me as rather theatrical. But looking now at the weight and presence of hands throughout her work, the gesture makes sense: it was about protection, allowing for a greater distance. By withdrawing from the scene, she opens up a liminal space between image and intention. In a moment of suspense, she grants us access to an uncertain place, where only vague, abandoned landscapes and blurred shadows emerge.
For her first solo exhibition, Laura Caetano re-evaluates her role as an archetypal artist paying homage to classical painting. In 9, these traditional interests are subtly reframed by contemporary conventions. Although the exhibition draws on the architecture of altarpieces and religious imagery, it is not anchored to any specific era of the past. Instead, it liberates itself from history, operating entirely outside of temporal or divine boundaries.
The ambiguity that shrouds these compositions is also reflected in the title. As the highest single digit in the decimal system, 9 represents the ultimate threshold before a loop completes – a spiral eternally moving toward or away from its centre, a curtain dropping into nothingness. It also evokes the Hermit of the tarot, a figure who retreats to the desert, rejects the world, and sublimates solitude.
Throughout these works, beauty emerges as something both seductive and unsettling, poised between delicacy and nihilism. Stripped of human presence, an overwhelming silence takes hold, forcing us to rely entirely on the scale of the canvases for a sense of orientation. In this way, the traditional altarpiece is redefined. Where historic altars relied on flanking saints as anachronistic witnesses to validate the sacred, here the central narrative collapses, surrendering entirely to the void.
Here, technical execution takes centre stage. Delicate structures emerge within the canvas’s earliest layers, multiplying through a continuous cycle of destruction and reconstruction: oil dripping from gestural brushstrokes, building layers of varnish that gleam under the surgical precision of light. These forms feel teasingly familiar, yet impossible to contextualise. Steering clear of a dazzling crescendo, the work thrives instead on subtle notations, whispered tones, and endless stories.

Francisca Portugal

[PT]
Durante uma conversa com a Laura no seu atelier, falávamos sobre a experiência de criar imagens sobre imagens, daquelas que não têm qualquer outro significado para além da sua qualidade estética. Rapidamente chegámos a categorizações cliché sobre o que define os artistas e as ideias à volta do desejo da pintura pura. Ela concluiu: “as mãos são o maior objeto de trabalho do pintor”, e admitiu que as suas obsessões também partilhavam dessa mesma matriz universal. Como se este ícone fosse uma linguagem comum e, em última análise, o autorretrato mais fiel de uma pintora.
Lembro-me de um episódio, pouco depois desta discussão, em que a artista começou a usar luvas para pintar, num exercício de afastamento da produção pictórica. Na altura, pareceu-me bastante teatral, mas olhando agora para a carga e a energia das mãos, enquanto elemento que nunca desaparece na obra de Laura Caetano, compreendi a importância de as proteger permitindo-se uma maior distância. Era o espaço intermédio entre a imagem representada e a intenção da artista, que se retira de cena e abdica da imposição de um ponto de vista único. Num momento de suspense, dá-nos acesso a um lugar incerto onde apenas se distinguem vagas paisagens abandonadas e sombras esbatidas.
Na sua primeira exposição individual, Laura Caetano propõe-se reavaliar essa materialização enquanto artista-arquétipo cujos interesses prestam uma homenagem constante à pintura clássica. Em 9, estes são subtilmente re-interpretados a favor de outras convenções mais contemporâneas. Embora a exposição convoque referências que remetem para a estrutura do retábulo e para a organização do imaginário religioso, não se dedica a nenhuma época específica do passado, pelo contrário, liberta-se de qualquer subjugação particular, temporal ou divina.
A ambiguidade que tolda estas composições reflete-se também na numerologia do título. Sendo o número 9 o mais alto do sistema decimal, representa o limiar que antecede o fecho do círculo, a espiral que se aproxima ou afasta eternamente do centro e o pano que cai continuamente para o nada. Também remete para a nona carta do tarot que representa o Eremita uma figura que se retira para o deserto, rejeita o mundo e sublima a solidão.
Neste conjunto, a noção de beleza emerge de forma tão sedutora quanto incómoda, suspensa entre a delicadeza e o niilismo. E o peso esmagador do silêncio, provocado pela ausência da presença humana, dita a condição do observador, que apenas na escala das pinturas encontra o seu único ponto de referência. Trata-se de repensar a conceção de uma pintura de altar. Se nos altares tradicionais se colocavam figuras de santos nos painéis laterais, testemunhas anacrónicas que validavam o acontecimento sagrado, aqui, a cena central colapsa e habita simplesmente o vazio.
Nesta exposição a dimensão técnica assume um papel crucial. Estruturas delicadas surgem nas primeiras camadas da tela e multiplicam-se num processo contínuo de destruição e reconstrução: o óleo que escorre pelo gesto da pincelada, a sobreposição de vernizes que gera brilhos e os reflexos sob a incidência cirúrgica da luz. São formas familiares, mas impossíveis de contextualizar. Longe de procurar o clímax ou o deslumbramento de um grande final, o interesse da artista reside, fundamentalmente, nas pequenas anotações, nos tons subtis e nas narrativas sem fim.

Francisca Portugal


Balcony Contemporary Art Gallery

hours:
Tuesday–Saturday 2pm–7:30pm
website:
balcony.pt